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terça-feira, 28 de maio de 2013

EU SERVI O REI DA INGLATERRA (Edu Reginato)


Eu servi o rei da Inglaterra (Obsluhoval jsem anglického krále, 2006, CZE), direção de Jirí Menzel. Elenco: Ivan Barnev, Oldrich Kaiser.

Quanto vale o dom da subserviência? Esse é o mote da trama dessa sofisticada comédia dramática. Pois ser subserviente é algo visto de forma negativa, mas quando isso é um dom as perspectivas são invertidas. Jan Díte, a personagem principal, é um homem que desde a infância sonha com o poder, senão a glória, e percebe logo cedo que tem o talento e um obcecado desejo de agradar. Nada melhor para expressar esse talento do que servir mesas, atender o público de início num bar até chegar num luxuosíssimo hotel em Praga nos anos 30, onde mudanças sociais começam a abalar a sociedade com o advento do nazismo. Um filme memorável com fotografia e direção de arte belíssimos. O excelente romance de Bohumil Hrabal é belamente adaptado pelo mesmo, mantendo seu tom fabulesco e sua história curiosa que faz refletir sobre questões como identidade e ambição. Vale muito a pena assistir não só como curiosidade mas pelo bom cinema que resulta.

Esse filme foi um pedido especial da Juliana. Obrigado por visitar o blog e sempre que quiser algum filme é só pedir. 



quinta-feira, 1 de novembro de 2012

IRMÃOS DARDENNE - TRÊS FILMES RAROS (EDU REGINATO)




Duplas de irmãos bem sucedidos no cinema não são raridades: a sétima arte começou com dois deles – os Lumière. Então não seria de se estranhar que uma das grandes descobertas do cinema europeu dos anos 90 tenha sido os irmãos Jean Pierre e Luc Dardenne, se: 1-eles não fossem da Bélgica – país sem tradição cinematográfica; e 2- tivessem origem operária em uma nação rica e com alto padrão de vida.
Pois é, os Dardenne trabalharam por meses em uma fábrica de cimento para comprar seus primeiros equipamentos de vídeo. 
Os dois eram proibidos de assistir à TV e filmes, quando cresciam na cidade de Seraing, e sofreram com constantes greves enquanto estudavam, nos anos 60. Isso não impediu que Jean Pierre decidisse estudar Teatro em Bruxelas e Luc, Filosofia. Mais tarde, esse segundo ingressou na companhia de teatro do irmão, entrando em contato com as possibilidades políticas e criativas do vídeo e do cinema.
Regressando à cidade natal nos anos 70, eles começaram sua carreira de “um homem com quatro olhos”, fazendo “vídeos de intervenção” sobre as greves e o movimento operário. Em 1975, na produtora Dérives, fizeram documentários sobre temas diversos, como a resistência belga ao nazismo (Le chant du rossignol, de 1978), para a televisão. 
Os irmãos se aventuraram na ficção somente na década de 80. O primeiro longa foi “Falsch”, de 1986, seguido de “Je pense à vous”, de 1992, ambos bem recebidos nos festivais europeus. Mas foram “A promessa” e “Rosetta”, de 1997 e 1999, respectivamente, que estabeleceram e consagraram o estilo dos irmãos belgas no cinema de arte mundial. Os dois contavam com as principais características de Jean Pierre e Luc: a câmera na mão muito próxima aos atores; os roteiros simples, com um suspense que deriva de conflitos internos dos personagens, e não de reviravoltas na trama; o olhar crítico sobre uma Europa incomum, operária e cheia de dificuldades. “Rosetta”, descrito por eles como um filme de guerra – da protagonista desempregada contra um mundo em que ela não parece importar - iniciou o sucesso dos irmãos em Cannes, ganhando a Palma de Ouro e o prêmio de melhor atriz, para a estreante Emilie Dequenne.Os Dardenne ainda dariam o prêmio de melhor ator para Olivier Gourmet (que trabalhava com eles desde “A promessa”) em 2002, por “O filho”. O feito foi considerado uma das maiores façanhas da história de Cannes, já que o personagem, um marceneiro com propósitos secretos, é filmado de costas durante quase metade do filme (!). O festival francês declarou seu amor incondicional aos Dardenne em 2005, com outra Palma de Ouro por “A criança”; e em 2008, com o prêmio de melhor roteiro para “O silêncio de Lorna”.

Abaixo disponibilizo três raros filmes dos Irmãos Dardenne, como esses filmes são pouco conhecidos a legenda é em inglês ou inexistente.



JE PENSE A VOUS (1992) - Bélgica, 1980. Nas margens do rio Meuse, no contexto de uma cidade produtora de aço, fábricas são fechadas uma após a outra e trabalhadores são demitidos. Um desses novos desempregados é Fabrice que tem orgulho de sua profissão, mas sente que ele tornou-se inútil. Sua mulher, Céline, tenta renovar seu interesse pela vida. Apesar de alguns momentos de felicidade reencontrada, Fabrice permanece preso em sua desilusão e um dia desaparece. Céline, com seu intenso amor liderando o caminho, vai procurá-lo e, eventualmente, o encontra. Mais uma vez, ela tenta salvá-lo de si mesmo. O amor pode ressuscitar um homem desacreditado? Essa é a aposta de Céline.




FALSCH (1987) - Pouco antes do crepúsculo, um avião aterrissa na pista de um aeroporto. Um único passageiro desembarca: Joe, o último sobrevivente de uma família judia, os Falsches. Ele tem um compromisso com todos eles nesta noite, 40 anos depois de sair de Berlim para Nova York em 1938. Estão todos esperando Joe no salão de chegada do aeroporto.





John, um diretor de televisão está preparando um programa especial sobre corridas de carros. Um telefonema de sua namorada, Sophie. John sai do estúdio apressado. Ele dirige rápido e briga com outro motorista. Enquanto isso, o produtor do programa muda a edição de John. Um acidente. Sophie...




quarta-feira, 19 de setembro de 2012

THE SCIENCE OF SLEEP (Edu Reginato)


Sonhei com nuvens:

gatopardos cirruseados

caçando elefantes nimbulosos

daí choveu...


Abaixo disponibilizo um filme de Michel Gondry sobre o ato de sonhar e perder a realidade.


AU REVOIR BETAMAX (Edu Reginato)



Ela era mais velha do que eu, sei lá uns 6 anos ou mais. O nome dela Glaucia, filha de uma amiga de minha mãe. Eu era apaixonado por ela. Eu tinha uns 9 anos, não mais.
Todos sabiam do meu amor. Quando se tem 10 anos e é apaixonado por uma menina mais velha “isso é uma gracinha”, dizem os adultos. Ficava triste por acharem utópico, mas eu levava a sério aquela paixão. No entanto, nunca declarei nada, me limitava a olhar profundamente para aquela menina alta e magra, como que para Audrey Hepburn num Breakfast na Tiffany.
Só lembrei dessa história porque assisti uma colagem de trailers de filmes grindhouse. Um dos trailers era um exploitation movie chamado Bury me an angel (1972), aqui no Brasil Enterre-me com os anjos.
Glaucia na minha memória está ligada ao fim da era Betamax e ao meu primeiro exploitation.
Betamax, para quem não sabe, é um formato de vídeo precursor do VHS. Uma fita pequena e desajeitada que era engolida por um aparelho reprodutor, enorme, parecido com uma máquina de xerox.
Um dos momentos mais íntimos que tive com a garota, foi quando ficamos sozinhos, não tínhamos nada para fazer (oh! maldita inocência) e resolvemos alugar um filme.  Ela era sócia de uma das últimas locadoras que possuíam acervo em Betamax. O VHS estava tomando o mercado, mas muitos ainda não tinham um vídeo-K7 devido ao preço elevado da maravilha tecnológica. A mãe de Glaucia era uma delas.
De todo o acervo em Betamax, não sei porque diabos escolhemos aquele filme. A sinopse não era das melhores: Grupo de mulheres motociclistas são atacadas por uma gang de Hell Angels e a única sobrevivente parte para uma sangrenta vingança. Típico filme de vingança da era exploitation.
O filme era bem amador, 16mm sujo, e a qualidade Betamax não ajudava.
Acho que só parei de olhar para Glaucia e prestei atenção ao filme quando apareceram algumas motociclistas nuas ou numa cena quente de sexo ao lado de uma fogueira. Rapaz, era a primeira vez que assistia, junto com uma garota, um filme que aparecia alguém nu ou transando. Aquilo me turvava os pensamentos e, confesso, fiquei meio envergonhado.
Quando começou o massacre dos Hell Angels acreditei que as coisas iriam esquentar entre nós. Achava que ela iria ficar tão chocada que chegaria perto de mim em busca de segurança (oh! maldita inocência).
Nada aconteceu.
Tempos depois, o acervo de Betamax foi substituído por VHS. O mundo não acabou.
O Betamax ficou no passado, a Glaucia também.

Abaixo disponibilizei o filme que é uma raridade, sem legendas.


sexta-feira, 13 de julho de 2012

DIA DO ROCK E 50 ANOS DE ROLLING STONES - FILMES DE ROCK E STONES


Feliz dia do Rock e mais feliz ainda os 50 anos de Rolling Stones que tornaram a trilha sonora de nossa vida muito mais legal.
Comemorando esse 13 de julho postei a premiadíssima minissérie sobre a história do Rock'n roll, o clássico e divertidíssimo filme Febre da Juventude, de Robert Zemeckis, sobre as desventuras de um grupo de jovens que vai ver o show dos Beatles na sua primeira turnê nos Eua, além da anarquica comédia de adolescentes Rock'n Roll High School, estrelada pelos Romanos e a obra-prima This is Spinal Tap que além de ser um dos melhores filmes sobre rock é também uma das melhores comédias de todos os tempos. E para completar,  vários filmes sobre os Rolling Stones e com Mick Jagger.


A HISTÓRIA DO ROCK'N ROLL - 5 VOLUMES - TORRENT
LEGENDAS EM PORTUGUÊS NO TORRENT

DISCO 1
O Rock'n Roll Explode / Rock da pesada esta Noite
DISCO 2
Os britânicos invadem, os americanos resistem
O som do Soul
DISCO 3
Minha geração
Ligando-se na tomada
DISCO 4
Heróis da guitarra
Os anos 70
DISCO 5
Punk
Do Underground à fama



FEBRE DA JUVENTUDE - I WANNA HOLD YOUR HAND (1978) - LEGENDADO BR
PARTE1   PARTE2   PARTE3   PARTE4   PARTE5



ROCK'N ROLL HIGH SCHOOL (1979) - TORRENT + LEGENDA BR



THIS IS SPINAL TAP (1982) - TORRENT + LEGENDA BR



ESCOLA DO ROCK (2003) - DUAL AUDIO
BAIXAR LEGENDA BR


PIRATAS DO ROCK (2009) - LEGENDADO BR



THE ROLLING STONES ROCK AND ROLL CIRCUS (1968) - TORRENT
LEGENDAS BR



GIMME SHELTER (1970)
PARTE 1   PARTE2   PARTE3   PARTE4



ROLLING STONES - SHINE A LIGHT (2008) - LEGENDADO BR



STONES IN EXILE (2010) - TORRENT + LEGENDA BR


NED KELLY (1970) - TORRENT
LEGENDA BR



PERFORMANCE (1970) - TORRENT
LEGENDA BR







quarta-feira, 4 de julho de 2012

CORINTHIANS CAMPEÃO LIBERTADORES 2012 - FILMES SOBRE O TIMÃO, CORINTHIANS (Edu Reginato)



Data histórica: 04/07/2012. Aniversário do meu filho, Romeu, e vitória do Corinthians na Libertadores. Jogo final inesquecível de uma campanha irretocável e invicta.
O Sport Club Corinthians Paulista foi fundado em 1º de setembro de 1910. No dia anterior, um grupo de cinco operários do bairro do Bom Retiro acompanhou a vitória por 2 a 0 do Corinthian Football Club sobre a Associação Atlética das Palmeiras. Inspirados pelo sucesso da equipe inglesa em excursão pelo Brasil, os pintores Joaquim Ambrósio e Antônio Pereira, o sapateiro Raphael Perrone, o cocheiro Anselmo Correia e o trabalhador braçal Carlos Silva se reuniram, sob a luz de um lampião, na esquina das Ruas José Paulino e Cônego Martins para discutir a criação de um time de futebol.
O encontro acabou por volta das 20h30 do dia 1º. Além dos cinco operários, outros entusiastas da ideia também participaram daquela reunião, entre eles César Nunes, irmão de Neco, primeiro grande ídolo corinthiano, e o alfaiate Miguel Bataglia, nomeado como presidente. A homenagem ao Corinthian Football Club (primeira equipe europeia a excursionar pelo Brasil), sugerida pelo pintor Joaquim Ambrósio, foi determinada apenas alguns dias depois, após o descarte de nomes como Santos Dumont e Carlo.
Uma das aquisições iniciais do Corinthians foi, obviamente, uma bola. Com 6 mil réis arrecadados com moradores do Bom Retiro, o tesoureiro João da Silva fez a compra em uma loja da Rua São Caetano. O Corinthians, então, estreou na várzea paulistana em 10 de setembro de 1910, um sábado: derrota por 1 a 0 para o União da Lapa, na casa do adversário.
Como a história confirma, desde cedo ser corinthiano é uma relação de conter frustrações e transformá-las em esperança e devoção. Junto com o Flamengo, é um time e uma torcida que transcendeu o prazer pelo esporte para um fanatismo quase espiritual. Ser corinthiano ou flamenguista é algo como fazer parte de um único organismo que pulsa.
Não há desmerecimento por nenhum time, apesar do Corinthians sempre sofrer piadas e dar em troca quando era merecido, todos os times são feitos de esportista que em algum momento a estrela da inspiração volta a brilhar e deixarão para trás os salários milionários ou  a preguiça de pop-star e agirão motivados apenas pelo amor à camisa, aos torcedores, ao esporte. Foi isso que aconteceu durante essa campanha do Corinthians na Libertadores, uma evolução que no momento final prevaleceu o puro futebol.
Em homenagem a essa vitória corinthiana disponibilizo alguns filmes em que o Corinthians foi assunto ou personagem:

















(agradecimentos especiais a fonte histórica da Gazeta Esportiva.net)

sexta-feira, 29 de junho de 2012

BELA LUGOSI IS DEAD? OS MELHORES FILMES DE VAMPIROS (Edu Reginato)


Quando era garoto trocava conhecimentos sobre os seres das trevas.
Trabalhava numa locadora e vários tipos curiosos transitavam por lá: lutadores de kung-fu, matadores de lobisomens, ninfomaníacas, donas-de-casa frustradas, zoófilos, sociopatas, solitários, artistas, pedófilos, nerds, fanáticos religiosos, góticos, cinéfilos e até gente normal.
            Filmes atraem todo tipo de gente. Filmes fazem sonhar todo tipo de mente. Muitos mitos são alimentados pelo cinema. Muitos desses mitos são antigos e aterrorizam e endiabram por séculos. Cinema e Vampiros são velhos colegas. Um mito antigo que rende muito dinheiro, não envelhece e nem sai de moda.
            Na locadora conheci dois tipos fanáticos por vampiros: Mafea e Toty Galbiati. Mafea sonhava tornar-se uma criatura das trevas, mesmo sendo gordinho e com uma cara doce tão assustadora quanto um smurf, mesmo assim gostava de simular ataques vampíricos com suas namoradas. Toty adorava os clássicos e carregava para todo lado uma edição do maldito Manual prático do vampismo do doidão Nelson Liano Jr.
            Foram Mafea e Toty que me apresentaram o dark side da cultura-pop.
            Livros, contos, filmes, músicas sobre vampiros eram nosso hobby. Uma bobeira de doidões que fundamentou um gosto por esse sub-gênero do terror. Atualmente, Mafea continua querendo ser um vampiro gorducho e Toti gosta de True Blood. Fazer o que?
            A cultura vampiresca é rica e profunda e suas lendas datam de milhares de anos. Arquétipos dos vampiros modernos são encontrados relatados em escrituras na Índia, Japão e Grécia. A estrutura dramática das histórias vampirescas modernas estão basicamente definidas em textos antiqüíssimos.
            Sei que o tempo passa e as tendências mudam. Cinema e literatura vão readaptando para a modernidade os antigos mitos ou monstros buscando novos nichos ou vítimas para seus produtos fast-food sanguinolentos.
            Foi assim que surgiram a "saga" Crepúsculo e os seriados True Blood e The Vampire Diaries. Não que esses produtos sejam medonhos, mas para alguém que curte vampirismo cinematográfico esses filmes e seriados são quase isso. A idéia é interessante como um pires vazio: um misto de Barrados no Baile (Beverly Hills 90210) com vampiros ou, abrazileirando, novela Malhação com vampiros, ah! também tem lobisomens que parecem saídos de uma academia de musculação da Barra da Tijuca.
            Fechando esse assunto de crepúsculos, é no mínimo curiosa a proposta da escritora Stephenie Meyer, criadora dos livros da "saga" Crepúsculo. Seus livros elevam elementos conservadores cristãos como a castidade e misturam com um mito pagão que buscaria a saciedade com a servidão, a sexualidade e, de certa forma, a necrofilia, além da "politicamente incorreta" troca de sangue entre estranhos, coisas que passam longe na trama insonsa da “saga”.
            Mas, me chamem de conservador chato, para mim vampirismo não é um bando de adolescentes fazendo cara blasé como se estivessem posando para a Vogue. Vampirismo é algo mais antigo e complexo e o bom cinema ajudou a sedimentar o mito de diversas formas.
            Mas antes do cinema, vamos ao mito.
            Os primeiros relatos sobre vampirismo na Europa são do século 12, o historiador inglês Willian de Newburgh relatou diversos casos de mortos retornando para aterrorizar, atacar e matar  durante a noite. Identificou esse tipo de espírito maligno com o termo latino sanguisuga. Na maioria dos casos sobre os quais escreveu, a única solução permanente era desenterrar e queimar o corpo do acusado.
            Embora nenhuma crença prolongada nesses seres tenha continuado entre os ingleses, a onda de relatos alcançou grandes áreas da Europa oriental, do século 16 ao século 18. Uma grande variedade de termos foi desenvolvida para designar  esses seres , tais como variações do termo sérvio vukodlak (extraído da palavra que designa o lobisomem). Outros termos usados na Sérvia, vampir (de origem questionável) e palavras relacionadas (como a palavra russa upyr), também se disseminaram.
            Ao longo do tempo, esses relatos sobre vampiros se infiltraram na Europa ocidental, onde se tornaram foco de discussão intelectual. Em 7 de Janeiro de 1732, um relatório oficial foi assinado pelo cirurgião do regimento de campanha Johannes Fluckinger, do governo austríaco (e três de seus assistentes), detalhando suas investigações sobre o vampirismo na Sérvia. O relatório indicava diversas mortes na vila de Meduegna cinco anos antes, cuja culpa recaíra sobre um homem chamado Arnold (Paole) Paul, que alegara ter sido mordido certa vez por um vampiro e subsequentemente morrido. Alguns acreditaram que ele tinha voltado do mundo dos mortos e os estava atormentando. Seu corpo, quando exumado, parecia estar em bom estado, mas o sangue escorria de sua cabeça e mais sangue espirrou quando foi açoitado. O cirurgião de campanha e seus assistentes estavam investigando uma nova onda de ataques alegadamente vampíricos na área quando examinaram outros supostos vampiros, que foram desenterrados, cuja aparência foi considerada extraordinariamente fresca, em seguida, foram queimados.
            Um pouco depois de sua assinatura, o relatório foi publicado em Belgrado e dentro de poucos meses versões da historia de Arnold Paul foram publicadas em vários periódicos europeus. Acredita-se que a palavra "vampire" ou "vampyre" (extraída de seu uso sérvio) entrou pela primeira vez na língua inglesa quando a historia foi publicada por dois periódicos ingleses, o London Journal e o Gentleman's Magazine, em 1732. A história criou sensação no Ocidente, estimulando debates nos círculos intelectuais, principalmente na tentativa de descobrir maneiras racionais de explicar o fenômeno desses relatos sobre os vampiros. Até mesmo a prestigiosa Sorbonne, em Paris, se posicionou sobre o assunto, condenando a maneira como os mortos estavam sendo violados.
            Dom Augustin Calmet, um abade beneditino e renomado estudioso da Bíblia, publicou um tratado sobre os vampiros, em 1746, no qual narrou, entre outros relatos, a história de Arnold Paul. Apresentou varias explicações racionais, mas também deixou em aberto a possibilidade de que algo sobrenatural poderia estar ocorrendo. Seu tratado mereceu grande divulgação e provocou mais controvérsias sobre o assunto. Já em 1755, a Imperatriz Maria Theresa, da Áustria, achou necessário instituir leis para evitar a exumação de suspeitos tidos como vampiros na área eslava e no seu reino, onde havia essa prática. Quando o naturalista francês Louis Lecrerc de Buffon soube de um morcego no Novo Mundo que bebia sangue, ele o classificou com o nome de "Vampiro" num dos volumes de sua Histoire Naturelle, publicada em 1765. Antes disso, os morcegos não tinham sido associados a vampiros conforme as tradições da Europa oriental. Ele escolheu especificamente o nome "Vampiro" porque a habilidade desses mamíferos notívagos em chupar o sangue de pessoas e animais dormentes sem acordá-los lembrava as lendas sobre os vampiros da época.
            Um jovem escritor e médico do século XIX que pode ter se familiarizado com as teorias de Calmet sobre os vampiros foi John Polidori, um imigrante italiano residente na Inglaterra. Em 1816, durante um certo período, Polidori foi o companheiro de viagem do aclamado poeta e escritor Lord Byron. Enquanto estava com Byron e um pequeno grupo de pessoas hospedadas na Villa Diodati, nas cercanias de Genebra, Polidori se juntou aos que, por sugestão de Byron, inventavam historias de fantasmas para seu mútuo entretenimento. Uma das presentes era Mary Shelley, cuja história se transformou mais tarde no clássico romance de horror Frankenstein. A história de Byron era sobre um homem a beira da morte, que fazia seu companheiro de viagem jurar que não revelaria sua morte a ninguém. Anos mais tarde, Polidori juntou a idéia básica de Byron com um motivo vampírico. Usando Byron como modelo, criou o vampiro Lord Ruthven, um aristocrata viajante que atraia e matava mulheres inocentes a fim de se alimentar de seu sangue. O conto de Polidori, "The Vampyre", foi a primeira obra completa de ficção sobre os vampiros escrita em inglês. Publicada inicialmente na edição de abril de 1819 da revista New Monthly Magazine (erroneamente assinada por Lord Byron), ela e considerada por muitos como a base da ficção moderna sobre os vampiros.
            Em 1872, uma imagem mais inovadora para o vampiro foi apresentada pelo escritor irlandês Sheridan Le Fanu, com o lançamento de seu conto "Carmilla", que incorpora as crenças vampíricas à uma ambientação gótica. A história gira em torno de uma vampira que desenvolve uma longa ligação com uma vitima do sexo feminino. Insinuações eróticas nesse estranho e sinistro vínculo entre vampira e vítima ecoam ao longo de toda a história.
            Em fins do século XIX, o romance Drácula, de Bram Stoker, iniciou a era da ficção que continua ate hoje. Drácula criou o vampiro vilão definitivo, utilizando elementos dos trabalhos de Polidori e Le Fanu para produzir um pano de fundo gótico para a história de um predador aristocrático profano saído do túmulo, que hipnotiza, corrompe e se alimenta das lindas jovens que mata. Stoker revelou todo o impacto das conotações psicossexuais envolvidas no relacionamento entre vampiro e vitima, mostrando a notável semelhança entre a ânsia de sangue dos mortos-vivos e a sensualidade reprimida dos simples mortais.
            Vampirismo é fascinante justamente pela fantasia de um ser demoníaco, mas sensual e viríl que necessita da força vital da vítima, geralmente uma mulher. Numa época como a vitoriana onde a castidade e o extremo conservadorismo dos ingleses eram uma obrigação, sonhar com um ser que as seduzem e corrompem era uma fantasia irresistível.
            O cinema sem dúvida não podia perder tempo em transpor as sanguinolentas histórias dos livros para suas telas brancas e imaculadas.
            Agora, é ter esperanças que esse gênero de filmes de terror não tenha entrado numa vertente enfadonha, onde a criatividade e a ousadia estejam coagulados e prevaleça a burrice de filmes cheios de vampiros adolescentes cobertos de purpurina.
            Será que Bela Lugosi está realmente morto?
            Selecionei alguns magníficos exemplares que dariam muito orgulho e um delicioso estalar de lábios sangrentos no mestre das trevas:

            OS CLASSÍCOS VAMPIRESCOS


            - THE VAMPIRE COAST (1909, EUA)
            Creditam como o primeiro filme da história a tratar sobre o tema vampirismo. Um filme curta-metragem mudo absolutamente raro, nem o IMDB tem referências sobre o filme. Dessa forma, pode ser uma lenda urbana.



            - NOSFERATU, UMA SINFONIA DO HORROR (1922, ALE), direção de F. W. Murnau. Elenco: Max Schreck, Alexander Granach. Gustav Von Wangenheim, Greta Schroder.
            O melhor filme de vampiros de todos os tempos. Nosferatu, o Cidadão Kane dos sanguessugas, quase não viu a “luz do dia”, literalmente. As cópias escaparam de serem destruídas devido a uma ação judicial movida contra Murnau pelos herdeiros de Bran Stocker. Realmente, Murnau pegou toda a estrutura climática do romance de Stocker. No entanto, o filme Nosferatu é mais do que Drácula. O conde Orlock, interpretado pelo aterrorizante Schreck, personifica uma peste, uma virulenta doença que toma a Europa. Muitos críticos afirmam que Murnau profetizava o nazismo tomando e destruindo a Europa. O movimento expressionista alemão contribuiu nessa extraordinária obra prima: luz e sombras em suas nuances projetam-se nos distorcidos cenários e personagens. Imagens extraordinárias e inesquecíveis na história do cinema: o primeiro encontro com o conde Orlock deslizando pelo castelo; a chegada do conde Orlock a Bremen, na Alemanha, num navio; o clímax no final quando Orlock é atingido por um raio de sol. Inesquecível!!!


- LONDON AFTER MIDNIGHT (1927, EUA), direção de Tod Browning. Elenco: Lon Chaney, Marceline day, Henry B. Walthall.
Seria impossível Hollywood não aproveitar as histórias de vampiros, mesmo nos seus primordios, os executivos hollywoodianos viram imensas oportunidades para assombrar platéias. Primeiro filme com produção hollywoodiana sobre vampiros. O “camaleão” Lon Chaney interpreta um inspetor de polícia que suspeita serem vampiros os autores de um assassinato e para melhor investigar o assunto se faz passar por um ser das trevas. Esse filme é um caso de trágica história cinematográfica: seus negativos foram destruídos no incêndio da MGM em 1967, sobraram as fotos da produção que editores remontaram com base no roteiro de Tod Browning. Curiosidade: a maravilhosa maquiagem de Lon Chaney foi feita por ele mesmo.
OU



- DRÁCULA (1931, EUA), direção de Tod Browning. Elenco: Bela Lugosi, Helen Chandler.
Tod Browning um especialista em filmes de terror foi contratado pelos estúdios Universal para filmar o antológico romance de Bran Stocker, Drácula. Sua escolha para o papel do mestre dos vampiros foi controversa, Bela Lugosi. Os Executivos não achavam que Bela teria o sexy appeal para o personagem, principalmente por não falar praticamente nada em inglês. Bela Lugosi interpretava o conde Drácula num espetáculo da Brodway, e posteriormente, a escolha por ele mostrou-se perfeita. Hoje, o filme envelheceu bastante devido aos seus efeitos mambembes e atuação canastríssima de Lugosi. No entanto conserva uma magia inegável graças a fotografia expressionista de Karl Freund e, claro, ao carisma de Bela Lugosi. Uma diversão imperdível que fez escola para os futuros filmes de vampiros e junto a Nosferatu de Murnau e O Vampiro de Dreyer fundamentaram os alicerces para cinematografia vampiresca.


- O VAMPIRO (1932, ALE), direção de Carl Theodor Dreyer. Elenco: Julian west, Maurice Schutz.
Para mim, O Vampiro é o Segundo melhor filme de vampiros de todos os tempos, depois de Nosferatu de Murnau. Quando assisti o filme fiquei realmente pertubado, gerando em mim uma forte sensação de angústia e medo. Foi o primeiro filme sonoro de Dreyer. Um filme sensual e onírico que monta uma narrativa que embaralha a continuidade nos levando através de imagens e sensações pertubadoras. O filme é uma livre adaptação do conto Carmilla, de Sheridan Le Fanu. Sensacional trilha sonora e extraordinário clima sobrenatural.
BAIXAR O VAMPIRO



- O VAMPIRO DA NOITE (1958, ING), direção de Terence Fisher. Elenco: Peter Cushing, Christopher Lee.
Espetacular produção da Hammer, estúdio britânico responsável por uma enorme quantidade de excelentes filmes de terror. O conde Drácula é repaginado na interpretação memorável de Christopher Lee, seu vampiro não tem nada das frivolidades do conde Drácula de Bela Lugosi. Lee faz um vampiro sensual e feroz, um ensandecido senhor das trevas. Peter Cushing interpreta um dos melhores Doutor Van Helsing do cinema, melhor que ele só Anthony Hopkins, no já clássico filme de Francis Ford Coppola. O Vampiro da Noite fazia a alegria de quem madrugava nas noites de Corujão na rede Globo.



- PLAN 9 FROM THE OTHER SPACE (1958, EUA), direção de Ed Wood. Elenco: Bela Lugosi, Vampira, Tor Johnson.
Obra-prima dos filmes trash. Uma mistura tresloucada de ficção científica e terror. Um filme antológico, inesquecível e hilariante. Alienígenas colocam em prática o "infalível" plano 9 que consiste em reavivar os mortos para dominar a Terra, nesses mortos incluem dois vampiros. Não é de longe um filme de vampiros, mas eles estão timidamente presentes. Bela Lugosi havia falecido devido o seu vício em morfina e suas imagens são de material de arquivo filmadas dois anos antes. Ed Wood aproveitou o fato de possuir essas cenas para conseguir verba para seu roteiro, Plan 9 From Outer Space. Ele convenceu membros de uma Igreja Batista a financiarem a produção, alegando que a presença “póstuma” de Bela Lugosi faria com que o filme se tornasse um sucesso. Sempre entusiasmado, Ed Wood não hesitou nem mesmo quando os religiosos obrigaram que ele e sua equipe fossem batizados, antes da produção ser iniciada. A solução para ter Lugosi nas outras cenas a serem filmadas faz parte da genialidade desvairada do diretor que simulou um vampiro de capa que aparece escondendo o rosto do nariz para baixo, interpretado pelo médico de Ed, que se asemelhava a Lugosi do nariz para cima! É simplesmente um dos filmes mais cheios de descontinuidades e erros da história do cinema, e justamente isso faz dele uma obra obrigatória para todo cinéfilo. É uma delícia ficar apontando as falhas no filme. Quem já viu Ed Wood, dirigido por Tim Burton, tem idéia de como foi a produção dessa pérola. O filme é uma apaixonada declaração de amor ao cinema. Ed Wood é um visionário louco que amava filmes mas não tinha nenhum talento para dirigí-los. Essa declarada falta de competência explode a cada minuto da película, no entanto é adorável seu carinho e esforço por acreditar naquilo que fazia. Para mim uma das obras mais belas do cinema, devido as histórias de bastidores e ao resultado catastrófico que nada mais é do que a tortuosa e difícil busca em fazer cinema.
BAIXAR PLAN 9 FROM THE OTHER SPACE - LEGENDADO BR



THE LAST MAN ON EARTH (1964, ITA/SPA), direção de Ubaldo Ragona. Elenco: Vicent Price, Franca Bettoia.


OMEGA MAN (1971, EUA), direção de Boris Sagal. Elenco: Charlton Heston, Rosalind Cash.

Se no cinema a maior obra sobre vampiros é Nosferatu de Murnau, na literatura, na minha opnião, Eu sou a lenda (I am Legend) é o melhor livro de vampiros de todos os tempos. Richard Matherson, cultuado escritor e roteirista de histórias fantásticas, criou uma das histórias mais desoladoras, assustadoras e inventivas da literatura. O livro é um misto de romance apocalíptico com história de vampiros. Uma praga assola a humanidade transformando todos sobreviventes em vampiros e apenas um homem não é infectado. Robert Neville, é um grande personagem. Sua solidão é tangível, sua única razão de viver é tentar descobrir uma cura para a doença e matar a maior quantidade de vampiros possíveis. O romance é inovador pois Robert Neville passa mais da metade da história sozinho apenas com suas lembranças e seu fardo de viver numa terra onde o seu ofício é matar criaturas que um dia foram humanas. Um dos mais trágicos personagens já escritos.
Duas memoráveis produções honraram o magistral texto de Matherson. The last man on Earth é quase uma adaptação literal do livro mudando apenas o nome do personagem principal para Dr. Robert Morgan. Vicent Price, segura bastante a canastrice e passa uma boa densidade dramática para o personagem. Filmado em preto e branco, boa parte do clima claustofóbico é devido a excelente fotografia do mestre Franco Delli Colli. Curiosidade: o filme é uma ótima produção ítalo-espanhola.
No entanto, Omega Man é o minha adaptação preferida. O filme aproveita o clima das produções apocalípticas dos anos 1970 misturado com uma pegada de filme Exploitation da época. Charlton Heston é a versão definitiva de Robert Neville. Sua expressão carrancuda e triste compõe bastante o personagem. E quando Neville pega na metralhadora dá para sentir a imensa satisfação de ver um dos melhores filmes de ficção dos anos 1970. Diferente do livro, nos dois filmes o personagem Robert Neville é um doutor ou cientista, acredito para ficar mais fácil roteirizar e seguir um rumo na busca da cura da pandemia. No livro o personagem é um trabalhador braçal que nada sabe sobre biologia e tenta em vão descobrir uma cura, coisa que o torna mais trágico.
A grande sacada de Eu sou a Lenda é a inversão de papéis. O vampiro na literatura universal é um ser único que aterroriza uma grande população. No caso dessa história, Robert Neville é um matador de vampiros que aterroriza uma população de criaturas da noite. Outra sacada genial é usar os velhos mitos das histórias vampirescas, como por exemplo a aversão a alho e cruzes e dar uma explicação absolutamente diferente e científica para eles.
A Editora Devir, especializada em quadrinhos de luxo, lançou uma espetacular adaptação da novela de Richard Matherson, adaptada por Steve Niles, o novo gênio roteirista dos quadrinhos adultos de terror. São duzentas e poucas páginas que transmitem inteiramente o drama de Robert Neville. Uma obra prima e, sem dúvida, a melhor adaptação feita de Eu sou a lenda.
Ah! Já me esquecia da vergonhosa adaptação de Eu sou a lenda, protagonizada por Will Smith. Seria bom meter uma estaca nesse filme, cortar-lhe a cabeça e enterrá-lo bem fundo.

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- O PLANETA DOS VAMPIROS (1965, ITA/EUA), direção de Mario Bava. Elenco: Barry Sullivan, Norma Bengell, Ángel Aranda.
Mario Bava é um dos mais cultuados diretores italianos de terror. O seu O Planeta dos Vampiros é uma ficção científica de terror que involuntariamente faz rir com seu clima camp.  A película tem aquele ar mambembe das produções B italianas e  esse é o seu charme. Tudo é muito divertido: a canastrice dos atores, incluindo a brasileira Norma Bengell, os cenários pobres, os efeitos especiais sofríveis. Duas espaçonaves vão investigar fenômenos estranhos num planeta distante (um plot dos mais usados nos scifi, até Solaris de Tarkovski tinha tal premissa) e descobrem que o planeta é habitado por alienígenas sugadores de sangue. Uma obra italiana obrigatória para cinéfilos e trasheiros de plantão!
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- A DANÇA DOS VAMPIROS (1967, ING/EUA), direção de Roman Polanski. Elenco: Jack MacGowran, Roman Polanski, Sharon Tate.
Sem dúvida a melhor paródia de filmes de vampiros já feita. Uma extraordinária comédia de terror burlesca e fanfarrona. Tudo é perfeito no filme. Direção segura e animada de Polanski além da sua divertida interpretação de Alfred, o assistente do Professor Abronsius, um especialista em vampiros que é o anti-Van Helsing ou melhor uma mistura de Inspetor Clouseau com Van Helsing. E temos Sharon Tate, só a presença dela na cena da banheira já vale o filme e a alcunha de clássico. Outra pérola foi o trailer de cinema que tem 20 minutos e anuncia o lançamento de A dança dos vampiros e é apresentado por um matador de vampiros que foi consultor nas filmagens.



-VAMPYROS LESBOS (1970, ALE/SPA), direção de Jesus Franco. Elenco: Soledad Miranda, Ewa Stromberg, Dennis Price.
Jesus Franco ou Jess Franco é um diretor prolífico, dirigiu mais de cem filmes cheios de sexo, depravação, sangue e ultra-violência. Sem dúvida um dos mais cultuados diretores malditos de todos os tempos. Essa obra-prima erótica de terror tem um dos climas mais sensuais que um filme de vampiros poderia ter. A idéia de vampiras lésbicas enche a imaginação de qualquer espectador. Belas atrizes com nudez e sexo farto. Um filme obrigatório para cinéfilos solitários numa noite chuvosa!
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- CARMILLA, A VAMPIRA DE KARNSTEIN (1970, ING), direção de Roy Ward Baker. Elenco: Ingrid Pitt, George Cole, Kate O’Mara.
Ah! Outro filme com vampiras lésbicas! Os solitários cinéfilos ganham mais uma noite de satisfação pela sétima arte. O estúdio britânico Hammer, aproveitou o tema nessa nova adaptação do conto de Sheridan Le Fanu. Carmilla, uma vampira maldita e sensual faz vítimas e seduz várias pobres donzelas. A produção é requintada, marca da Hammer. No entanto, é a espetacular presença da atriz polonesa Ingrid Pitt que faz desse filme uma obra obrigatória. Ingrid Pitt, sem dúvida, foi uma das mulheres mais belas e sensuais do cinema, seu sexy-appeal é desconcertante. Um filme que só causa felicidade!
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NOSFERATU NO BRASIL (1971, BRA), direção de Ivan Cardoso. Elenco: Torquato Neto, Scarlet Moon, Daniel Más, Helena Lustosa.
Essé media-metragem rodado em 8mm é fruto de uma união extraordinária e extravagante: Hélio Oiticica e Ivan Cardoso. Os dois grandes artista desenvolveram uma visão tropicalista do mito Nosferatu, e é sem dúvida nenhuma um dos grandes momentos do cinema brasileiro marginal. Oiticica e Cardoso queriam fazer um filme de vampiro com alma brasileira. No primeiro momento em preto e branco temos Nosferatu na Europa do século XIX seduzindo uma probre donzela e sendo atacado por um príncipe. No Segundo momento Nosferatu está em Copacabana nos anos 1970 curtindo férias, "comendo" mais e mais mulheres. Nosferatu vai se adaptando ao jeitinho carioca adquirindo sua malandragem e trejeitos até terminar num bacanal rodeado por suas vamps. Nada mais nada menos que sensacional! Filme marginal feito sem nenhum tostão só pelo prazer de fazer uma boa malandragem cinematográfica.



- KOLCHAK - THE NIGHT STALKER (1972, EUA), direção de John Llewellyn Moxey, Elenco: Darren MacGavin, Carol Lynley, Simon Oakland.
Filme-piloto de uma das séries de tv americana mais cultuadas de todos os tempos, Kolchak e os Demônios da Noite (1974-1975). Carl Kolchak é um repórter que investiga casos misteriosos, geralmente envolvendo criaturas e situações sobrenaturais. Nesse tele-filme, Kolchak investiga os estranhos assassinatos de pessoas, sendo que os cadáveres não possuem sangue algum e tem perfurações no pescoço. Kolchak suspeita que o autor dos homicídios seja um vampiro. É marcante a interpretação de Darren MacGavin como Kolchak. O filme tem produção mediana, sua importância está na influência para as futuras séries de tv e filmes com temas de investigação sobrenatural. Chris Carter, criador da cultuada série Arquivo X, afirmou que a série Kolchak foi sua inspiração fundamental.
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- MARTIN (1977, EUA), direção de George A. Romero. Elenco: John Amplas, Lincol Maazel, Christine Forrest.
George Romero, realmente, é um mestre dos filmes de terror, dirigiu obras-primas nos anos 1970 como A Noite dos Mortos Vivos, Dawn of the Dead e Exército do Extermínio. Martin faz parte desse momento brilhante do diretor. Um terror psicológico denso, angustiante e melancólico. Martin é um jovem que acredita ser um vampiro e mata pessoas abrindo suas gargantas com uma lâmina de gilete para beber o sangue. Por   não ser um vampiro de verdade, usa uma prótese com caninos protuberantes. O filme é uma profunda análise sobre o universo de um serial-killer em busca de sua identidade, onde ser um vampiro sacia suas fantasias sexuais e sua completa incompatibilidade com a sociedade que o cerca. Atmosfera carregada e interpretação excelente de John Amplas como Martin. É um filme com a marca dos dramas psicológicos dos anos 1970 com boas doses de sangue.
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- ALUCARDA (1978, MEX), direção de Juan Lopez Moctezuma. Elenco: Cláudio Brook, David Silva, Tina Romero, Susana Kamine.
Pertubadora e sangrenta produção mexicana. Moctezuma era amigo e colaborador dos vanguardistas Fernando Arrabal e Alejando Jodorovski. Com Arrabal e Jodorovski fundou o Teatro Le panique, um movimento estético e inovador de encenação onde o transe, a força e a histeria dos atores eram privilegiados. Fando e Lis foi um filme que Moctezuma, Arrabal e Jodorovski trabalharam juntos e causou a expulsão de Jodorovski de um festival de cinema no México. Junto com Jodorovski, Moctezuma colaborou na obra-prima El Topo. Moctezuma resolveu tomar sozinho o caminho da direção e dirigiu The Mansion of Madness e, em seguida, Alucarda – La Hija de las TinieblasAlucarda é nova adaptação do conto Carmilla de Sheridan Le Fanu. Alucarda é uma criança amaldiçoada que cresceu numa escola de freiras, com o passar dos tempos ela vai adquirindo hábitos estranhos. O filme flerta com várias vertentes setentistas como o nuneexploitation (filmes com freiras sádicas e sexualmente depravadas chegadas em sadomasoquismo), satanismo, vampirismo e até filmes de zumbis. São impressionantes as cenas da tortura de Alucarda pela Inquisição. Há um brilhante e pertubador final para um filme de um diretor que honra seus mestres. Fotografia genial de Xavier Cruz. Um filme, doentio, sangrento, sádico e sensual. Obra-prima para públicos restritos ou quem tem o espírito livre para ousar.
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- ÂNSIA (1979, AUS), direção de Rod Hardy. Elenco: Chantal Contouri, Shirley Cameron, Henry Silva.
Curioso e raríssimo filme australiano de vampiros. Garota de boa família é sequestrada por fanáticos de uma seita secreta que fazem lavagem cerebral nela para acreditar que é a rainha de um sécto de vampiros. O filme transita entre a seriedade e a bobagem lisérgica típica dos anos 1970. No entanto tem uma fotografia lúgrube e um clima demente que aproveita os recentes acontecimentos do suicídio coletivo da seita do reverendo Jim Jones. Curioso por ser um filme australiano que sempre trás algo de inusitado e interessante e quebra o tédio cinematogáfico de produções norte-americanas.
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VAMPIROS NOS ANOS 1980 E 1980

Os anos 1980 e 1990 fizeram a felicidade dos fãs de terror e filmes de vampiros.
É delicioso lembrar de muitos desses filmes que fizeram grande sucesso no cinema e passaram inúmeras vezes nos bons tempos da TV. Muitos desses filmes carregavam nas homenagens aos clássicos filmes de vampiros e são uma releitura criativa e divertida do tema. Esses bons filmes hoje são considerados clássicos sejam pela qualidade ou por terem marcado uma época onde o cinema deixou de ser sério e passou a brincar com sangue e fantasia.


FOME DE VIVER (1983, EUA), dirigido por Tony Scott. Elenco: Catherine Deneuve, David Bowie, Susan Sarandon.
O meu filme de vampiros preferido dos anos 1980. Baseado no romance de Whitley Strieber, é uma belíssima obra sobre vampiros. Em plena ascenção do movimento yuppie, David Bowie e Catherine Deneuve interpretam um casal de vampiros cool  que buscam suas vítimas em boates e clubes noturnos. Porém, o vampiro Bowie, começa a padecer de uma doença vampiresca que o faz envelhecer continuamente. Prevendo a morte do parceiro, a vampira Deneuve encontra uma possível nova amante, interpretada por Susan Sarandon, para lhe acompanhar na eternidade. A grande sacada do filme é quebrar o tabu vampiresco da vida eterna. Apenas os vampiros primordiais (nascidos vampiros) vivem eternamente, os transformados vivem centenas de anos, mas em algum momento passam a sofrer de um envelhecimento que os leva a morte. A eternidade é efêmera contradizendo o espírito dos anos 1980 onde a música “Forever Young” era um hino. A fotografia video-clipada é muito bem contextualizada ao filme, diferente dos outros trabalhos de Tony Scott que esse recurso se tornou, negativamente, sua marca. As interpretações de Bowie e Deneuve são excelentes, poucos atores se adaptaram tão bem a personagens de vampiros modernos. São antológicos o início do filme na boate ao som da música Bela Lugosi is Dead do grupo Bauhaus e a cena de sexo entre Deneuve e Sarandon. Obra-prima que deixa saudade.



- LIFEFORCE (1985, ING/EUA), direção de Tobe Hooper. Elenco: Steve Railback, Peter Firth, Mathilda May.
Último grande filme de Tobe Hooper que havia dirigido O Massacre da Serra Elétrica e Poltergeist. O roteiro do inventivo Dan O’Bannon (Alien) é uma das melhores releituras do tema vampiros. O roteiro se aproveita da passagem do cometa Halley no ano seguinte para mote inicial onde uma espaçonave britânica pousa no cometa para fazer pesquisas e descobre três capsulas contendo formas humanas. Essas cápsulas são levadas para Londres, uma delas é violada de onde sai uma espetacular mulher que, em seguida, descobrimos que é uma vampira que suga a energia vital das pessoas. Esses vampiros alienígenas passam a aterrorizar Londres, causando uma catástrofe. O cometa nada mais é do que uma nave sugadora de almas que a cada 76 anos passa para colher seu suprimento vital e seus tripulantes são a origem do mito dos vampiros. A história parece estapafúrdia, digna de um roteiro de Ed Wood, mas o filme é levado num crescente de ação ininterrupta  com seriedade e até coerência. O climax é antológico e a vampira interpretada por Mathilda May é uma das mais sensuais do cinema. São excelentes os efeitos especiais e de maquiagem. Uma pérola oitentista para ver e rever.
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A HORA DO ESPANTO (1985, EUA), direção de Tom Holland. Elenco: Chris Sarandon, Willian Ragsdale, Roddy McDowall.
Um dos mais queridos filmes de vampiros já feitos. Uma deliciosa homenagem aos filmes de terror da Hammer. Todo mundo já conhece a trama: adolescente acredita que seu vizinho é um vampiro e pede ajuda para o decadente apresentador de um programa de tv que passa clássicos de filmes de terror. Roddy McDowall faz uma das melhores paródias de Peter Cushing quando interpretava o Dr. Van Helsing nos filmes da Hammer e Chris Sarandon está excelente na pele do vampiro com todo seu charme canastrão. Uma mistura perfeita de terror e comédia que beira o pastelão. Nostálgico e obrigatório!!!
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VAMPIRE HUNTER D (1985, JAP), direção de Toyoo Ashida.
Extraordinária animação japonesa que mistura ficção científica, western e terror. Num futuro apocalíptico, matador de vampiros andarilho tenta salvar garota sequestrada por vampiros. Aproveitando o clássico mote dos filmes de western do estranho sem nome que chega a cidade, a animação injeta altas doses de sangue e violência ao inserir vampiros no contexto. Os gráficos  tem o estilo básico dos animes, no entanto o que torna esse filme marcante e inesquecível é a impressionante violência, acima de qualquer  animação feita na época. Vale garimpar e assistir essa rara animação.



OS GAROTOS PERDIDOS (1987, EUA), direção de Joel Schumacher. Elenco: Jason Patric, Corey Haim, Dianne Wiest, Kiefer Sutherland, Corey Feldman.
Um dos mais divertidos e marcantes filmes de vampiros com adolescentes dos anos 1980. Vários dos atores adolescentes dessa produção encabeçaram clássicos das matinês oitentistas, em especial Corey Feldman que interpretara o irreverente Bocão no clássico Goonies, e faz outro personagem inesquecível como um dos irmãos Frog, fanáticos por quadrinhos de terror e especialistas em matar vampiros. Mistura perfeita de filme de adolescentes rebeldes e vampiros. O climax é maravilhoso quando os vampiros atacam a casa dos heróis. E dá-lhe estacas no coração!!!!
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QUANDO CHEGA A ESCURIDÃO (1987, EUA), direção de Kathryn Bigelow. Elenco: Adrian Pasdar, Jenny Wright, Lance Henriksen, Bill Paxton.
Antes de ser oscarizada com o filme Guerra ao Terror (2008), Kathryn Bigelow, a linda diretora, ex-mulher de James Cameron, dirigiu algumas produções interessantes incluindo esse criativo road-movie vampiresco. Gang de vampiros que vivem num furgão fazem vítimas nas estradas áridas do Texas. Quando atacam um restaurante de beira de Estrada encontram resistência dos seus ocupantes. Ótima trama, bons efeitos de maquiagem, muita ação nesse filme pouco conhecido ou lembrado, mas que vale muito a pena ser redescoberto.


THE MONSTER SQUAD (1987, EUA), direção de Fred Dekker. Elenco: Andre Goyer, Robby Kiger, Stephen Macht.
Delicioso filme de adolescentes que mistura terror, comédia e muita ação. Drácula é despertado de seu sono centenário e reune os clássicos monstros lobisomen, Frankestein, Monstro da Lagoa Negra e a Múmia para caçarem um amuleto que pode destruir a humanidade. Claro, esse amuleto é encontrado por um grupo de adolescentes fanáticos por filmes de terror. Criativa e emocionante homenagem aos clássicos monstros da Universal e seus respectivos filmes. Excelente trabalho de maquiagem e muita, muita diversão como só os filmes dos anos 1980 podiam proporcionar. Passou dezenas de vezes na Sessão da Tarde com o ridículo nome Deu a Louca nos Monstros. Matinê de alto nível!!!


DRÁCULA DE BRAM STOCKER (1992, EUA), direção de Francis Ford Coppola. Elenco: Gary Oldman, Winona Ryder, Anthony Hopkins, Keanu Reeves.
O filme de Francis Ford Coppola, como outros do diretor, já nasceu clássico.
Uma obra-prima definitiva sobre o mestre dos vampiros, melhor adaptação da obra de Bram Stocker. Um extraordinário conjunto técnico em especial o espantoso figurino de Eiko Ishioka, a brilhante fotografia de Michael Ballhaus, a inebriante música de Wojciech Kilar, além da maravilhosa direção de arte e excelentes efeitos especiais e de maquiagem. São necessários tantos adjetivos para tentar chegar perto de quanto o filme é realmente. Coppola usou técnicas dos primórdios do cinema para alcançar certos efeitos e climas. Está tudo ali, desde os efeitos ópticos de Méliès às sombras expressionistas de Nosferatu. Há detalhes fascinantes da produção como na sequência em que o conde Drácula passeia pelas ruas de Londres e que foi filmada com uma camera Pathè dos anos 1920. Gary Oldman está ótimo como Drácula, mas quem rouba o filme é Anthony Hopkins como o irreverente Dr. Van Helsing, melhor que ele só Peter Cushing nos clássicos da Hammer. O filme definitivo sobre o conde Drácula depois de Nosferatu. Estou sem palavras gastei todas elogiando esse filme inesquecível!


ENTREVISTA COM O VAMPIRO (1994, EUA), direção de Neil Jordan. Elenco: Tom Cruise, Brad Pitt, Kisten Dunst, Antonio Banderas.
Era inevitável uma adaptação de algum romance de Anne Rice. Seus livros foram um marco na cultura pop do final dos anos 1980 e começo dos anos 1990. O resultado é esse sofisticado e irregular filme de vampiros com um jovem elenco estelar em ascensão. A obra de Anne Rice era instigante por apresentar um universo vampiresco andrógeno e bissexual e um protagonista com delírios de pop-star. O filme de Jordan apresenta um pouco desse universo, mas no final não é ousado demais e fica um pouco artificial, apesar do evidente esforço do elenco e da produção. No entanto, existem grandes momentos e uma extraordinária e melancólica sensualidade nabokoviana na vampira adolescente interpretada por Kisten Dunst, ela por sinal é é a melhor coisa do filme. Não é inesquecível, mas é importante na filmografia vampiresca.



THE ADDICTION (1995, EUA), direção de Abel Ferrara. Elenco: Lily Taylor, Christopher Walken, Annabella Sciorra.
Um filme de vampiros sem propriamente ser um filme de vampiros. Ferrara na verdade fez um soturno estudo sobre o vício. Estudante de filosofia, interpretada por Lily Taylor é mordida no pescoço por estranha mulher, e aos poucos vai adquirindo uma necessidade enlouquecida por ingerir sangue, necessidade semelhante a de um viciado em drogas. Sangrento e belo filme com excelente fotografia em preto e branco. Um Ferrara imperdível como todo filme desse diretor.
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UM DRINK NO INFERNO (1996, EUA), direção de Robert Rodriguez. Elenco: George Clooney, Harvey Keitel, Quentin Tarantino, Juliette Lewis, Salma Hayek.
Esse filme foi assistido junto com o cineasta Rodrigo Grota, meu grande amigo, na sala do saudoso Cine Peduti em Marília-SP. Segundo nossa humilde opinião o filme é inesquecível. Um amalucado filme híbrido de road-movie policial com terror gore. Na primeira metade o filme é um policial onde os temíveis bandidos irmãos Gecko são perseguidos pelas estradas do Texas, matando todos que atravessam seu caminho. Na outra metade os irmão Gecko pegam como reféns uma família de protestantes em viagem num trailer e param numa boate de beira de estrada no México, no entanto descobrem, tardiamente, que o lugar é um ninho de vampiros mexicanos. O roteiro de Quentin Tarantino é maravilhoso com momentos brilhantes e hilariantes. É simplesmente espetacular a carnificina final quando os vampiros atacam os pobres humanos. George Clooney, Tarantino e Harvey Keitel estão perfeitos interpretando respectivamente o bandido bonitão, o bandido psicopata e o reverendo que perdeu a fé. Participação especial de Tom Savini, mestre dos efeitos de maquiagem, como o hilariante Sex Machine, além das participações sempre marcantes de Cheech Marin e Danny Trejo. Não esquecendo Salma Hayek que parou a respiração de todos os homens no cinema e é, sem dúvida, a vampira mais sexy de todos os tempos. Um cult que sedimentou uma das melhores parcerias do cinema moderno: Quentin Tarantino e Robert Rodriguez. Filme que se tornará clássico em breve. Obra-prima!!!!
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OLHOS DE VAMPA (1996, BRA), direção de Walter Rogério. Elenco: Marco Ricca, Washington Luiz Gonzales, Antonio Abujamra, Joel Barcellos.
Esquecido desmerecidamente desde sua exibição no Festival de Brasília de 1996, esse filme teve problemas com a distribuidora que não sabia como lançá-lo: seria uma comédia, um terror ou um filme policial? Bem, fica melhor dizer que Olhos de Vampa é um mix desses três gêneros, trafegando involuntariamente por entre eles. Apesar de esquecido por muitos, é um grande filme de terror que resgata o estilo inconsequente das produções dos anos 1970. Narrado no estilo de investigação policial com clima do folhetim Notícias Populares. A trama não foge do primor das manchetes desse antológico folhetim: assassinatos de belas moças aterrorizam a região da Boca do Lixo de São Paulo. Os corpos são encontrados nus em posições extravagantes com uma maçã na boca, detalhe há sempre uma marca de dentes pontiagudos nas nádegas das vítimas que não tem sangue nenhum nos corpos. Uma dupla de jornalistas de um folhetim sensacionalista decidem investigar os crimes. Seguindo o clima dos anos 1970 proposto na trama não faltam belas mulheres nuas, locações pelas ruas de São Paulo e visitas aos inferninhos da Boca do Lixo, além de boa dose de sanguinolência. O filme não se decide se é sério ou engraçado (muitas vezes involuntariamente). Os atores são péssimos, principalmente Marco Ricca e Washingron Luiz Gonzales, e quem salva é, o sempre bom, Antonio Abujamra, divertidíssimo como delegado de polícia que solta pérolas como "Se vocês notarem um homem perseguindo um traseiro bem-feito, vão atrás! Pode ser o nosso homem!". Outro achado é o personagem Vampa interpretado pelo lendário Joel Barcellos. O enfoque mundo cão dado pelo filme foi bem explorado, isso faz de Olhos de Vampa um filme obrigatório para cinéfilos, pois é muito raro um filme de terror brasileiro e que aborde vampiros com uma certa “dignidade”. Imperdível mesmo!!!!!!



VAMPIROS (1998, EUA), direção de John Carpenter. Elenco: James Woods, Daniel Baldwin, Sheryl Lee, Thomas Ian Griffith.
Esse divertido, violento e espirituoso filme de vampiros faria uma ótima dobradinha com Um Drink no Inferno. Filme de terror ambientado na fronteira do Texas com o México, tem um inconfundível clima de western italiano. Grupo de matadores de vampiros financiados pelo vaticano (!) caçam as criaturas das trevas na fronteira do Texas com o México, após a matança de um ninho de vampiros, o restante do sugadores de sangue encabeçados por um vampiro mestre sanguinário partem para uma vingança contra o grupo de matadores que tem como chefe o carismático James Woods. Os vampiros parecem bandidos saídos de um filme de Sergio Leone, essas referências dão um charme especial para esse excelente filme do mestre John Carpenter.



BLADE, O CAÇADOR DE VAMPIROS (1998, EUA), direção de Stephen Norrington. Elenco: Wesley Snipes, Kris Kristofferson, Stephen Dorff.
Uma das melhores adaptações de um herói dos quadrinhos para cinema. Blade é um humano mestiço de vampiro, pois sua mãe foi contaminada enquanto estava grávida. Devido a morte de sua mãe, Blade adquiriu ódio permanente contra sugadores de sangue e usando seus poderes vampirescos e armas especiais (muito legais!) torna-se um exímio matador de vampiros. Um grande sucesso que não poupa o espectador de altas doses de sangue. Um filme muito bacana que tem um antológico início no literal banho de sangue numa boate.

SANGUE FRESCO: NOVOS FILME DE VAMPIROS

O que fazer quando depois de tantos grandes filmes de vampiros, nós nos deparamos com a diluição da qualidade e integridade das produções cinematográficas desse sub-gênero. Vontade de chorar, vontade de meter uma estaca na Stephenie Meyer (escritora dos livros da “saga” Crepúsculo) ou rezar para um bom diretor tomar iniciativa e filmar algo que preste. Bem, quando o Gênero decaiu no final dos anos 90, tivemos uma hiato de anos sem uma boa obra, espaço de tempo para se pensar o que fazer, que renovação aplicar no gênero. Talvez não seja de todo mal essa produções que visam o público adolescente, pois de qualquer forma Hollywood e outros começam a pensar que o gênero é um bom investimento e daí saiam bons produtos. Nesse século XXI temos boas provas disso, por enquanto bastante tímidas, mas valiosas. E vampiros não são fácei de matar, sempre vai ter um saltando da  tela branca sejam os emos de Crepúsculo ou sérios e bom sugadores de sangue como nos velhos tempos.


BLADE II, O CAÇADOR DE VAMPIROS (2002, EUA), direção Guillermo Del Toro. Elenco: Wesley Snipes, Kris Kristofferson, Ron Perlman.
Acredito que Hollywood devia limar os diretores norte-americanos e substituí-los por diretores mexicanos, uruguaios, argentinos, tailandeses, chineses, japoneses e australianos. Os filmes com certeza seriam muito, mas muito mais criativos, originais e melhor dirigidos. Guillermo Del Toro é um talento criativo nos moldes de seu compatriota Robert Rodriguez. Blade II é de longe melhor que o primeiro, e tem um olhar mágico particular sobre a fantasia que iríamos presenciar melhor nos trabalhos posteriores do diretor. É simplesmente uma montanha russa de emoções com lutas sensacionais, muito sangue e um design de criaturas inovador. Delicioso filme de um grande diretor de fantasia que faria o clássico Labirinto do Fauno, o divertidíssimo Hell Boy e, merecidamente, assumiu a cadeira de diretor do épico O Hobbit. Curiosidade: Guillermo é um gordinho gente finíssima que ajuda na consultoria criativa de muitos filmes incluindo o ótimo Splice, de Vicenzo Natali, e a divertida animação Megamente, de Tom MacGrath. Guillermo também está escrevendo junto com Chuck Hogan a Trilogia Noturno sobre uma apocalíptica pandemia de vampiros que ataca Nova York. O primeiro e segundo volume saíram no Brasil pela Editora Rocco e sem dúvida é uma das mais radicais releituras sobre o vampirismo já escritas cheia de nojeiras pavorosas, muito suspense, um vampiro mestre demoníaco e inacreditável quantidade de sangue. Guillermo é um talento que sempre merece atenção e todos seus filmes devem ser vistos pois, como Peter Jackson, começaram fazendo filmes trashs e hoje estão nas produções mais badaladas do cinema moderno.



TRINTA DIAS DE NOITE (2007, EUA), direção de David Slade. Elenco: Josh Hartnett, Melissa George, Danny Hutton.
Quando foi lançado no Brasil, pela Editora Devir, o quadrinho de luxo 30 dias de noites, foi um alvoroço, uma comoção entre os aficcionados por HQs e pela critica especializada. Essa Graphic Novel tem uma história niilista escrita pelo novo papa das históris em quadrinhos de terror, Steve Niles: no Alasca certa região é tomada por uma noite sem fim que dura 30 dias, o problema é que uma orda de vampiros sanguinários se estabeleceu nas redondezas para fazer a limpa na população de um remoto vilarejo. No entanto, apesar da trama simples, a densidade e violência dos quadrinhos impressionava principalmente pelas belíssimas pinturas de Ben Templesmith. Quando começaram a produção do filme homônimo, todos ficaram na dúvida do resultado. Steve Niles escritor da obra em quadrinhos trabalhou como consultor no filme e o diretor David Slade respeitou integralmente a HQ. O resultado foi surpreendente: um dos mais belos, tristes e ferozes filmes de vampiros dos últimos anos. Uma das grandes sacadas é o enfoque na angústia dos sobreviventes para tentar se salvar sabendo que o sol não nascerá. Outra maravilha é a maquiagem dos vampiros idêntica as criaturas da HQ, sendo eles um dos melhores exemplos já criados tanto nos quadrinhos como nos cinemas. Um grande filme, onde a fotografia azulada e gélida dá o tom para a triste sina dos sobreviventes. Pequena obra-prima que merece uma releitura.



DEIXA ELA ENTRAR (2008, SUE), direção de Tomas Alfredson. Elenco: Kåre Hedebrant, Lina Leandersson, Per Ragnar, Henrik Dahl, Karin Bergquist, Peter Carlberg.
Simplesmente um dos melhores filmes de vampiros dos últimos anos. Um filme sueco gélido de fotografia soturna e com um casal de atores mirins soberbos. Garoto, que sempre sofre nas mãos de garotos maiores, se apaixona por frágil menina que ele suspeita ser uma vampira. Quando descobre que suas suspeitas são reais e que ela precisa de sangue humano para sobreviver, o garoto encara um dilema moral. História de amor infantil com vampiros e muito sangue. Uma belíssima obra sueca com todos seus tempos característicos, câmera parada, travellings longos e lentos, olhares que falam mais que palavras. É impressionante o teor dramático e realista da história e faz jus a qualquer grande filme de vampiros. É angustiante a cena que a garota vampira  chega até a casa do garoto e decide mostrar o que acontece quando não é convidada para entrar, começando a escorrer sangue por todas as partes do seu corpo. Essa cena é sensacional, definindo muito bem o mito de que os vampiros não podem invadir casas alheias simplesmente por serem afetados fisicamente. Teve um remake Americano mediano em 2010, mas está anos-luz aquém dessa obra de arte. Um clássico moderno, um dos melhores filmes sobre vampiros de todos os tempos.



SEDE DE SANGUE (2009, ROK), direção de Chan-wook Park. Elenco: Kang-ho Song, Ok-bin Kim, Hae-sook Kim, Ha-kyun Shin, Eriq Ebouaney.
Chan-wook Park é responsável pela trilogia da vingança (Mr. Vingança (2002), Oldboy (2003) e Lady Vingança (2005)) e todo cinéfilo sabe que suas marcas são a dramaticidade, o humor negro e a ultra-violência. Sede de Sangue é um dos melhores filmes modernos de vampiros já feitos pois é um mix de drama, terror, comédia, sexo, surrealismo e experimentalismo. Uma obra para poucos, pois o olhar do expectador está desacostumado e muitas obras como Sede de Sangue ou Deixa Ela Entrar são afetados pelo costume de assistir essa nova geração de filmes de vampiros purpurinados e carnavalescos. Um padre participa voluntariamente de uma experiência com uma nova vacina para a cura de uma doença letal. No entanto, algo sai errado e ele quase morre, voltando a vida após uma transfusão de sangue e é acolhido como santo pela população local. Porém, não tarda a manifestar seu desejo de beber sangue que ele sacia bebendo tubos de sangue de pacientes em coma. A trama se complica quando o padre reencontra um amor de infância e quebra o seu celibato, contaminando a mulher que diferente dele tem necessidade insaciável de sangue, sem nenhum freio moral para escolher as suas vítimas. Um filme peculiar, extremamente sensual e sangrento. E até agora o útimo grande filme de vampiros do novo milênio. Imperdível!!!!

Nessa lista faltaram ótimos títulos como Inocente Mordida de John Landis, o trash blacksploitation Blackula (que é divertido, mas consta apenas como curiosidade para fanáticos), o trash de kung-fu The Seven Golden Vampires (que vale a pena assistir para dar boas risadas) e muitos outros títulos da Hammer, etc. Mas, é impossível dar conta de todas obras e também é necessário um critério de qualidade e importância cinematográfica em um período determinado do tempo e seu reflexo ainda hoje. Tentei fazer um apanhado separando títulos por décadas e por qualidade ou importância histórica. Em resumo, podemos testemunhar que o cinema de terror que aborda o mito do vampiro é rico e rende muito, tanto como produto criativo como financeiro. Tenho esperanças que logo a febre por vampiros adolescentes se esgote e surjam filmes mais sérios e respeitosos.
Se eu fosse um pessimista diria que Bela Lugosi está morto, mas tenho fé que ele esteja por aí procurando novas vítimas para saciar sua sede. E dá-lhe estaca!!!!